Nível de reservatórios da Grande SP melhora, mas não alcança normalidade e restrições serão mantidas

  • 03/03/2026
(Foto: Reprodução)
Nível de reservatórios da Grande SP melhora, mas não alcança normalidade A chuva registrada nos primeiros meses do ano trouxe alívio, mas não foi suficiente para recuperar os níveis dos principais reservatórios que abastecem a Grande São Paulo à faixa de normalidade. Com isso, restrições à distribuição de água serão mantidas. Dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) mostram que em fevereiro o volume útil do Sistema Integrado Metropolitano (SIM) subiu de 35,6% para 48,2%. Ainda assim, de acordo com a agência do governo SP Águas, a redução de pressão noturna por 10 horas será mantida para poupar as represas. A medida, prevista em plano de contingência, está em vigor desde agosto passado. No bairro do Capão Redondo, na Zona Sul da capital, a falta de água virou assunto recorrente entre os moradores. A gente não tem outro papo a não ser da água que falta no bairro. Todas as noites, a Sabesp, concessionária responsável pelo abastecimento em São Paulo, reduz a pressão nos encanamentos de distribuição. Sem pressão, a água não chega a muitas casas em bairros mais altos. Segundo a companhia, a medida busca minimizar perdas em vazamentos subterrâneos e economizar água em um momento em que os reservatórios estão com níveis baixos. Pressão da água tem sido reduzida por 10 horas durante a noite na Grande São Paulo Divulgação/Saneago Tradicionalmente, o período de cheias em São Paulo ocorre entre outubro e o fim de março. São seis meses em que as represas deveriam acumular praticamente toda a água necessária para o restante do ano. Cinco desses meses já passaram. No maior dos reservatórios, o Sistema Cantareira, este é o terceiro pior período de chuvas dos últimos dez anos. O Cantareira abastece cerca de 9 milhões de moradores da Grande São Paulo. De outubro de 2025 a fevereiro de 2026, o sistema acumulou 75 bilhões de litros de água, volume muito abaixo da média da última década. Atualmente, o reservatório opera com cerca de 36% da capacidade. Já o SIM, que reúne sete mananciais, registrou o menor patamar para o mês desde 2016, quando os reservatórios que atendem a região ainda estavam se recuperando da crise hídrica do ano anterior. Segundo a pesquisadora do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Adriana Cuartas, a chuva acima da média em algumas regiões não garantiu recuperação significativa dos reservatórios. Só fevereiro que teve chuvas acima da média, 22% acima da média só, e nós não sabemos o que que vai acontecer em março. Pode até ter chuva acima da média. Ainda assim, por exemplo, o Cantareira não vai chegar nem a 50%. Ela ressalta que as mudanças climáticas já apontavam para a ocorrência de eventos extremos, como períodos prolongados de estiagem. Dados do Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) da Prefeitura de São Paulo mostram que fevereiro terminou com 193 milímetros de chuva, 11,1% abaixo dos 217,2 milímetros esperados para o mês. Para o hidrólogo Carlos Tucci, é preciso ampliar as estratégias para garantir o abastecimento. Entre as alternativas, ele cita a busca por novas fontes de água, investimentos em reuso e redução de perdas na rede de distribuição. Atualmente, segundo ele, o Brasil perde entre 35% e 40% da água tratada antes que ela chegue ao consumidor. “Se você reduzir essas perdas, aumenta a disponibilidade”, explica. Chuva ainda não recuperou os níveis dos reservatórios de água que abastecem a Grande SP Enquanto soluções estruturais não avançam, comerciantes enfrentam prejuízos. A cabeleireira Luana Ezequiel Lemos afirma que precisa suspender o atendimento quando fica sem água no salão. “Sem a água, não trabalho. Às vezes eu peço água para o vizinho”, conta. Em nota, a Sabesp informou que está investindo mais de R$ 5 bilhões em obras de segurança e resiliência hídrica na Região Metropolitana de São Paulo até o ano que vem. Segundo a companhia, diante da pior estiagem dos últimos dez anos, foram adotadas medidas operacionais para preservar os mananciais, como a redução da pressão na rede durante a madrugada. A Sabesp afirma que, desde agosto do ano passado, a estratégia já permitiu economizar 103 bilhões de litros de água — volume suficiente para abastecer toda a Grande São Paulo por cerca de 20 dias. Faixas de atuação do governo na gestão hídrica (em 3 de março de 2026) e restrições: Faixa de normalidade (100 a 57,23%) Faixa 1 (57,22% a 51,23%): Início das ações de revisão das transposições de bacia e reforço das campanhas de uso consciente da água; Faixa 2 (52,22% a 45,23%): Diminuição da pressão na rede de abastecimento por 8 horas noturnas; Faixa 3 (45,22% a 39,23%): Redução de pressão por 10 horas e economia de 8 mil litros por segundo; Faixa 4 (39,22% a 33,23%): Pressão limitada na tubulação por 12 horas; Faixa 5 (33,22% a 23,23%): Restrições mais intensas, com 14 horas de contenção no sistema; Faixa 6 (23,22% a 13,23%): Contenção ampliada para 16 horas noturnas, com início da instalação de bombas para captar o volume morto e ligações emergenciais em locais essenciais, como hospitais, clínicas de hemodiálise, presídios e postos de bombeiros; Faixa 7 (abaixo de 13,23%): Implantação do rodízio no abastecimento, com alternância diária entre as áreas que terão e as que não terão água.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/03/03/nivel-de-reservatorios-da-grande-sp-melhora-mas-nao-alcanca-normalidade-e-restricoes-serao-mantidas.ghtml


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